Uma cidade chamada Sumidouro

Todo lugar tem suas características, seus problemas maiores, suas convenções…

Mas muitas vezes há os exageros que qualquer um pode perceber, seja no período em que for.

Pois bem: como você se sentiria se durante anos a fio visse que a administração pública de sua cidade jogasse dinheiro pela janela, não observando o quanto seus cidadãos trabalham e se esforçam para manter seus impostos em dia, mesmo que lhes custe caro esse procedimento?

Retornando para casa, em uma noite qualquer, qual não foi minha surpresa (depois, indignação) ao ver que a calçada que acabara de ser terminada estava novamente sendo quebrada. Pedaços e mais pedaços de concreto sendo retirados de lá para colocarem a passarela para deficientes visuais. Naturalmente que é necessária, a passarela, mas não nessa forma de ser desperdiçada. Pois isso já vem sendo um procedimento nas cidades, principalmente em capitais. Portanto, já deveria estar no planejamento de quem orçou a calçada deixar esse vão para o encaixe das lajotas amarelas e com ranhuras.

Lá estava um grupo de funcionários locais com suas perfuratrizes de mão a retalhar o concreto. Quanto material jogado fora, quanto cimento sem nenhuma utilidade… material esse que bem poderia ser usado na manutenção de escolas públicas, de hospitais, de novas calçadas.

Isso  denota um total desacordo entre os departamentos públicos que não se comunicam, não trabalham concatenadamente e, além disso, deixam de realizar outros feitos por ficarem sem provisões para outros empreendimentos.

A cada taxa paga pelo cidadão, parece haver um desleixo, uma discrepância, um avilte. Somos manobrados pela ganância dos poderosos, somos manipulados pela mídia comprada, ficamos sabendo somente o que eles querem que saibamos, não a profundidade dos acontecimentos, nem a participação de onde estão realmente empregando nosso suor tão sofrido e desmotivado a cada hora.

Por que somos submetidos a esses impropérios que se arrastam por longos e longos anos?

Creio, então, que o nome dessa cidade onde habitamos, seja o nome que for que ela tenha, deveria ser mudado para Sumidouro, onde todas as necessidades são abafadas e substituídas pelo descaso e onde a negligência moral, administrativa, ética, financeira e social dá lugar à corrupção e ao descaramento governamental.


Autora: Marcela de Baumont

Ficha técnica de Marcela de Baumont:

Formada em 1976, pela UFRGS, na Faculdade de Comunicação Social, é bacharel em Jornalismo, Relações Públicas, Propaganda e Publicidade. Exerce a atividade de revisora desde a faculdade, na Editora e Gráfica da UFRGS, e também para escritores de livros e revistas em áreas diversas. Como revisora em Propaganda, tem trabalhado para importantes clientes:  Giovanni+DraftFCB, Wunderman, Grey, Publicis, Africa, MPM. Seu passatempo favorito é ler um bom livro e escrever suas poesias.