Reflexos

Reflexos

O sol reflete nas folhas, no banco isolado da praça… No vão entre seus traços, há mais luminosidade, e pequenas folhas avermelhadas procuram seu espaço. O céu vai aos poucos escurecendo seu sorriso… No chão, milhares de folhas sobrepostas carregam algumas gotas da garoa que caiu. O sol então se vai para resplandecer em outras partes… Autora: Marcela de Baumont Ficha técnica de Marcela de Baumont: Formada em 1976, pela UFRGS, na Faculdade de Comunicação Social,…

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TEMPESTADE

TEMPESTADE

Estranho é o ar gélido que chega a meus pés: como uma sombra pálida,  me estremece de repente, com seu meio sentido suspenso. Paro, tremendo atrás da porta, de onde pressinto ruídos vindos de muito longe. Parecem gotas caídas de um telhado rachado, com seu zinco arfando. Quem sabe? Fico aguardando algum sinal para decifrar. Pela fresta da cortina, avisto árvores se contorcendo com o vendaval antes da chuva. A noite será longa: devo aprontar…

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Caminho para o lago

Caminho para o lago

A luz está tênue, sombras são pouco nítidas na descida do morro. As nuvens povoam tudo em redor, como fantasmas esquecidos entre livros, caixotes e lamparinas. Aos poucos percebo vultos que parecem me acompanhar: são alguns montes de feno que saem disparando na descida. O silêncio impera e o frio gela. A caminhada ainda se alonga até chegar ao lago… fumegante! Então, espero na beirada da estrada próxima a uma tapera abandonada. Suas histórias são…

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Noite na fazenda

Noite na fazenda

Um luar atravessa os ramos da amoreira… Grilos cricrilam na noite abafada. Uma coruja quebra o silêncio e depois pousa sobre o velho moinho. A fazenda dorme… No lago, os peixes se aquietam, os sapos pulam de pedra em pedra. Enquanto a noite avança, a brisa se expande e acaricia a relva. Uma leve bruma se achega e deixa sua assinatura na colina. Autora: Marcela de Baumont Ficha técnica de Marcela de Baumont: Formada em 1976,…

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NO PASSADO

NO PASSADO

Quando a noite vai chegando, E os meus olhos, marejando, Lembro-me de você, com seu sorriso, Com seu jeito quieto de andar, Com sua sombra passando atrás de mim. São momentos tão minuciosos, Que me remetem ao passado, Em tempos já esquecidos, talvez, Como em um espelho difuso Em que não podíamos olhar. E aos poucos me dou conta De todas as nossas lembranças Mesmo as que não pudemos perceber. No fundo da memória, se…

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NO JOGO DE XADREZ

NO JOGO DE XADREZ

Dizem que o fim não tem fim, Tem começo e meio… Dizem tantas coisas, algumas certas, Outras banais… Esquecem que as esquinas se encontram Sem ser avisadas, são meio atordoadas… Depois vêm as poucas palavras, Aquelas que lamentamos ou sentimos Com uma dor indescritível… E nas tantas conversas na praça, Tem gente ainda jogando xadrez, Mesmo que a chuva varra seus reis. Autora: Marcela de Baumont Ficha técnica de Marcela de Baumont: Formada em 1976, pela…

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Desenho do dia

Desenho do dia

As montanhas com seus braços tentam abraçar o céu. Entre cumes altíssimos, se esconde uma lagoa. Sua cor reflete nuvens e sol, e nas margens repousam centenas de carvalhos e pinheiros. Aqui e ali pequenas cabanas despertam – telhados multicoloridos agasalham os lares. O aroma das plantas se espalha em um ambiente acolhedor. O sorriso dos meninos vem e invade o lugar. Autora: Marcela de Baumont Ficha técnica de Marcela de Baumont: Formada em 1976, pela…

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Começo do outono

Começo do outono

O céu é riscado de cinza e azul Uma revoada de pássaros miúdos Desenham a paisagem. O riacho desliza calmo sobre as pedras Que irregularmente se alinham. O dia traz um lembrete do outono Quando novos ninhos estarão prontos E pontilhando aqui e ali as árvores… Das montanhas vem um vento solto Que prefere ficar calmo. Enquanto isso, vários casais se encontram Para a busca de plumas e gravetos. As folhas perdem tornam-se amarelas e…

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A MENINA DA PRAIA

A MENINA DA PRAIA

Não me satisfaço só com um abraço. Pego um laço de cetim feito pra mim, Arramo no cadarço e entrelaço Com miosótis sem fim… São azuis da cor do céu, Límpidos como seu sorriso infantil, Que leva a certeza de criança Com voz de muita lembrança… E ela não se esquece de mim, Olhando as ondas, assim, com olhar pueril E querendo pegar gaivotas e corais, Se embevece ao apreciar o mar bravio… Um andar…

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